quarta-feira, 25 de maio de 2011

Grãos e grãos de areia

Grãos e grãos de areia, serão centenas? Serão milhares? Vou caracteriza-los como se cada um fosse uma das minhas histórias, uma das minhas pessoas e assim, sempre que vir montinhos de areia colocarei uma pena espetada no pico. Uma pena que poderá não ser tão bonita, não ter todas as ‘penas’, não ser tão grande ou tão alta como talvez devesse ser, mas é sempre um símbolo como eu as valorizo todas. Branco, preto, dourado, brilhante, melhores? Vou simbolizar simbolizando, pois cada pedaço de mim é como cada grão de areia nesta areia. E por mais simples ou esquecido de outras partes, um pequeno símbolo pode voltar a ser muito ou simplesmente voltar a não ser nada. E assim, se souberes o quanto és, o quanto vales, cada vez que pisares a minha areia, vais ver a tua pena. Uma pena, um grão de areia, tu, eu, preto e branco. Brilhante e dourado.. E cada vez que deres um passo neste meu chão, não só a vais ver como a vais sentir; cada vez mais quente, mas cada vez mais longe. Não te peço para continuares a andar, a ficar mais quente e mais longe. Quero que venhas, mesmo que saibas que continuarás a vê-la e a senti-la, mesmo que saibas que continuaremos a ser preto e branco, brilhante e dourado. Este dia não acaba, seja escuro ou claro, tenha tempo certo ou indefinido, eu, tu, eu, tu. E sabes que mesmo que caminhes tanto ou mais do que queiras, não podes andar só com a cabeça.. Pára; olha para este fundo, mexe neste chão, procura a tua pena e continua que te vais refrescar. Vem, continua, estou aqui. Continuas brilhante, continuo dourado. Continuas preto, continuo branco. Sempre, sempre, sempre! Não há mais areia, não há mais grãos, não há mais penas, não há mais quente nem longe. Agora, caminha, não peço, apenas quero.. Não peças, apenas quer, vem. Enche a mão destes grãos, enche a mão de força e vida, olha para cima, vê o que é brilhante e agora pára. Olha para o chão, vê o que é dourado e deita fora do que encheste a mão. Corre, agarra a velocidade com o vento e vem, corre. Estou aqui, sentada à volta da tua pena, estou aqui, sentada de volta para a nossa pena. Agora, peço-te que enchas a tua mão de novo.. de nenhum grão. Prometo que te dou todos estes grãos de areia que estão à volta da nossa pena, não em vão, sim por coração. Fica, fica, fica! Sempre, sempre, sempre! Quero que fiques, mesmo que saibas que continuarás a ver-me e a sentir-me, mesmo que saibas que continuaremos a ser preto e branco, brilhante e dourado. Este dia não acaba, seja escuro ou claro, tenha tempo certo ou indefinido, eu, tu, eu, tu. Grãos e grãos de areia (…)